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Sobre a «vulcanite», o primeiro plástico semi-sintético da história dos polímeros



Até 1856, estes materiais [compostos orgânicos] eram obtidos de fontes naturais (…). Em meados do século XIX, fizeram-se tentativas para modificar quimicamente alguns polímeros naturais, de forma a melhorar as suas propriedades, ou alterá-las de modo a encontrar substitutos para materiais naturais, cada vez mais caros e raros.

A «vulcanite» é um exemplo dessas tentativas, em que o objetivo foi melhorar as propriedades da borracha natural. Como a borracha se torna mole e pegajosa durante o tempo seco e quente e rígida durante o frio, tentou solucionar-se o problema procurando o métodos que tornassem mais prático o seu emprego.

A borracha natural, quando tratada com enxofre, produz um produto a que se chamou «vulcanite», também conhecido como «ebonite» ou borracha dura. Tal tratamento transforma a borracha num material útil e resistente. A «vulcanite» é considerada como o primeiro plástico semi-sintético, visto ter sido produzida a partir da borracha natural, cuja composição e propriedades se alterava quimicamente por adição do enxofre, sob condições controladas.

Fonte: Callapez, M.E, Os Plásticos em Portugal - A origem da indústria transformadora, Editorial Estampa, 2000 (Livro)
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Rolhas de cerveja em vulcanite



Próteses dentárias em vulcanite

Sobre a gutta percha: uma resina natural que fica na história como o isolante dos primeiros cabos elétricos submarinos




"A «gutta percha», uma resina natural obtida por incisão de certas árvores do Extremo Oriente ou por trituração de certas folhas, veio a ser comercialmente importante pelas suas propriedades isoladoras, particularmente o seu uso no revestimento de cabos telegráficos subaquáticos. 

Em 1850/1851, este material foi utilizado para revestir o primeiro cabo submarino colocado entre Inglaterra e França. Encontrou ainda outras aplicações como por exemplo na produção de bolas de golfe e em cirurgia dentária."

Fonte: Callapez, M.E, Os Plásticos em Portugal - A origem da indústria transformadora, Editorial Estampa, 2000 (Livro)

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Fábrica de revestimento de cabo elétrico com gutta percha.

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"Quimicamente o material conhecido como Gutta Percha consiste num isómero trans de poliisopreno. A sua estrutura química é trans 1,4- poliisopreno. Devido à proximidade da sua estrutura com a da borracha natural (a qual é um isómero cis do isopreno) existem semelhanças com este material, mas as suas propriedade mecânicas assemelham-se mais àquelas exibidas por polímeros cristalinos."

Fonte: Prakash et al, Gutta-percha - An Untold Story, Endontology
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A Gutta Percha é obtida a partir da espécie Palaquium gutta.


Sobre o preço do barril de petróleo e os negócios de fusão e aquisição na indústria petrolífera



Historicamente, o preço do barril de petróleo tem sido um dos factores mais determinantes para a criação de valor da indústria petrólífera e de gás natural. Precisamente por esse motivo, muitas das estratégias de fusão e aquisição (M&A) que se revelaram frutíferas nos últimos 15 anos podem  não funcionar na conjuntura atual, onde o preço do barril não tem uma tendência crescente.

É um facto que muitas das indústrias que negoceiam commodities buscam consolidação durante ciclos de baixa económica, os quais se traduzem por contextos em que a oferta excede a procura, os preços caiem e a competição aquece. A indústria do petróleo e gás natural não é exceção. De 1998 a 2000, mais de 25 negócios superiores a mil milhões de dólares foram realizados na América do Norte, incluindo as megafusões da BP-Amoco, Exxon-Mobil, e Chevron-Texaco. No total, estes negócios totalizaram 350 mil milhões de dólares em apenas 2 anos.

Porém, de todos os negócios ocorridos entre 1986 e 1998, apenas os megadeals superaram o seu valor de mercado 5 anos após o anúncio do negócio. Períodos de preços de estáveis convidam a um enfoque em sinergias de custos e escala de produção. 

Contrariamente, durante 1998 e 2014 os preços tenderam a subir, e mais de 60% dos negócios de fusões e aquisições superaram o seu valor de mercado 5 anos. Sem surpresa, o contexto de subida de preços recompensa mais os negócios que o focam o crescimento através da aquisição de ativos existentes ou novos. 

Com os preços novamente em baixa, a conjunta atual situa-se novamente na situação menos fértil para a criação de valor através de aquisições e fusões, o que contraria a referida tendência para a consolidação que existe na campo das commodities.




Fonte: Mergers in a low-oil-price environment: Proceed with caution, McKinsey & Company - May 2016

Sobre a compra da White Wave Foods pela Danone, num negócio avaliado em 9 mil milhões de euros



A Danone vai avançar com a compra da empresa americana WhiteWave Foods, que detém a marca de leite de soja Silk, a mais vendida nos EUA. O objectivo é que a companhia, fundada em Barcelona, mas com sede em França expanda o seu negócio no segmento de comida orgânica. O valor em causa, de 10 mil milhões dólares (9 mil milhões de euros) faz com que seja a maior aquisição da Danone em quase uma década.


(...)
A aquisição fará com que a Danone seja líder global em lacticínios e comida saudável, incluindo marcas de saladas embaladas e outros produtos, numa altura em que os consumidores cada vez mais deixam de comprar comida que vêem como pouco saudável.


Fonte: Negócios

Sobre o "cheiro a cloro" em piscinas, e as falsas ideias sobre o seu significado




Um inquérito realizado pelo U.S. Centers for Disease Control and Prevention (CDC) revelou que a maior parte das pessoas tem um entendimento errado sobre o significado do "cheiro a cloro" nas águas de piscina.

Dos 1500 americanos que foram questionado sobre o significado de um cheiro intenso a químicos (cloro, etc) na água de piscina, 76% responderam que esse cheiro é um indicador de excesso de cloro de água, e 19% disseram que isso indica que a quantidade de químicos na água está nos níveis adequados. Ambas as explicações estão erradas.

De acordo com os especialistas na matéria, uma piscina em boas condições não exala qualquer odor forte a químicos. 

O cheiro a cloro resulta da reação deste com compostos orgânicos (urina, matéria fecal, suor e outra sujidade) dos banhistas, levando à produção de cloroaminas. Estas são responsáveis também pelos clássicos efeitos de irritação dos olhos. 

Fonte: WFLA

Sobre o projeto Eco-Cooler, e o arrefecimento low cost de habitações à custa de um conceitos bem conhecido dos alunos de engª química



É muito comum ouvir, por parte dos estudantes de engenharia química mais pragmáticos, a seguinte questão: mas para que serve estudar isto, no contexto do dia-a-dia?

O projecto Eco-Cooler é especialmente pertinente para todos esses, já que pega num assunto abordado na disciplina de Mecânica de Fluidos, e operacionaliza esse conhecimento na forma de um produto/solução a ser usado por comunidades necessitadas do mesmo. Soma-se a isto ter um baixo custo de produção e usar materiais considerados lixo.

Mas de que trata, afinal, o Eco-Cooler? Este é, nada mais nada menos do que um sistema low cost de arrefecimento de habitações, que manipula princípios de conservação de energia relacionados com o escoamento de um fluido (ar quente) por uma restrição geométrica (garganta, ou bocal). O resultado é uma solução que se diz conseguir arrefecer uma habitação em até 12ºC.


Eco-Cooler fornece assim um exemplo fantástico de como conceitos e princípios sobejamente conhecidos e leccionados (e aparentemente sem utilidade), precisam apenas de criatividade e interesse para poderem materializar-se em soluções para problemas reiais do dia-a-dia.




Sobre o dilema britânico de abandonar poços de petróleo não rentáveis, devido ao elevado custo de desmantelamento dos mesmos



"Pela primeira vez, a indústria britânica de petróleo e gás offshore está a tamponar e abandonar mais poços do que aqueles que explora. A produção, que caiu dois terços desde o seu auge de há 16 anos, de 4,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia, vai parar em mais campos do que aqueles que estão a começar.

(...)
A indústria sempre soube que teria de encerrar plataformas envelhecidas, mas o processo foi acelerado pelo preço do petróleo, que caiu de 115 dólares no verão de 2014 para cerca de 50 dólares. Isto deixou metade dos operadores no mar do Norte - o lugar mais caro do mundo para a prospeção de petróleo - a operar com prejuízo, de acordo com dados da Company Watch, que monitoriza o risco financeiro das empresas.


Estas empresas enfrentam uma decisão difícil: deverão continuar a produzir petróleo e gás com prejuízo, na esperança de recuperar o dinheiro se e quando o preço subir, ou desistir totalmente, incorrendo em milhões de libras de custos de desmantelamento no processo? É proibitivamente caro voltar e recomeçar a perfurar depois de um poço ter sido abandonado, portanto qualquer decisão de saída é definitiva

(...)
Oil and Gas UK, o organismo da indústria, calcula que remover cerca de 80 plataformas e as infraestruturas associadas vá custar cerca de 22 mil milhões de euros ao longo dos próximos dez anos. O custo estimado para concluir todo o trabalho até 2050 varia entre 38 mil milhões e 76 mil milhões de euros, um número que tem vindo a aumentar conforme a dimensão da tarefa se tornou evidente.

(...)
A Shell devia remover a parte de cima da Brent Delta - que se eleva 160 metros acima do nível do mar - neste ano. Mas as dificuldades na construção das vigas reforçadas originaram um atraso, mostrando que a indústria do desmantelamento permanece na infância.

Outro travão no processo é o facto de as empresas não obterem nenhum retorno financeiro do desmantelamento de uma plataforma e muitas estarem hesitantes em tomar a decisão."

Artigo completo: MSN

Sobre tendências de investigação em eng. química, na área de energia, em 2015: biocombustíveis




Ao nível da investigação em energia, as publicações de engenharia química listadas no  Top25 da ScienceDirect abordam o temas das fontes não fósseis de energia, nomeadamente os chamados biocombustíveis, energia térmica, e energia solar.

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Na temática dos biocombustíveis, podem referi-se três temas específicos: bioetanol, biodiesel, e pirólise e gasificação.

BIOETANOL:
Ao nível do bioetanol, os desafios colocados à engenharia química focam-se nas estratégias pelas quais biomassa vegetal pode ser convertida em etanol, desde logo pela conversão inicial da celulose em açúcares simples (hidrólise), e a subsequente fermentação dos mesmos a etanol. 

Neste domínio, inúmeras são as questões técnicas que requerem inovação para que o custo de produção do bioetanol seja mais competitivo, podendo-se referir: otimização da velocidade da hidrólise, e das quantidades de enzima necessárias (caso seja aplicável), a otimização dos rendimentos de produto e tempos de processo, a compatibilidade dos processos com várias espécies,  a minimização da geração de compostos inibidores do processo, a minimização da degradação dos açúcares, robutez face à existência e variações de humidade na biomassa, redução das necessidades energéticas do processo, etc.


BIODIESEL:
Ao nível do biodiesel, a investigação em torno da sua produção incide sobre quatro aspetos principais: 
1) otimização de condições a mistura de óleos vegetais com diesel fóssil e sua combustão; 
2) mistura de óleos vegetais com álcool (metanol, etanol, etc) com vista à formação de microemulsões; 
3) decomposição de óleos vegetais por via térmica com vista à produção de hidrocarbonetos; 
4) transesterificação, ou seja, reação de óleo (ou gordura) com álcool com vista à formação de ésteres e glicerol. 

Enquanto a transesterificação é o processo mais popular para o objetivo de produzir biodiesel, os desafios associados prendem-se também com a fonte de óleos/gorduras a utilizar. Se por um lado a valorização de óleo alimentar depois do seu ciclo de utilização representa uma fonte possível, a cultura de microalgas tem sido muito investigada pelo facto de ter potencial para suprir as necessidades mundiais, dada a elevada produtividade face ao cultivo de espécies agrícolas.


PIRÓLISE E GASIFICAÇÃO:
Ao nível da pirólise e gasificação, a investigação tem-se focado nos desafios de operação inerentes à produção de misturas líquidas e/ou gasosas quando se processa biomassa vegetal em temperaturas superiores a 200ºC sem oxigénio (pirólise) ou sob baixas concentrações de oxigénio (gasificação). 

Neste particular, dado que a biomassa vegetal é compostas maioriamente por celulose, hemicelulose e lenhina, estas frações morpofológicas comportam-se modo diferentes nos referidos processos de pirólise e gasificação, levando a que seja necessário otimizá-los com vista uma produção melhorada de biocombustíveis líquidos ou gasosos, por esta abordagem.

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Esta publicação faz parte de um conjunto de textos subordinado ao tema da investigação em engenharia química no ano de 2015, cuja publicação principal pode ser consultada aqui.

Sobre a presença da engenharia química nas artes plásticas, pela mão do artista turco Garip Ay





Já parou para pensar em quanta química e engenharia existe no processo de pintura?


Convidamo-lo a ver o vídeo abaixo, do artista turco Garip Ay, e pensar sobre as formas, as cores, a interação delas com a tela, a densidade, viscosidade, a temperatura, a pressão, o escoamento, a secagem, a separação, a mistura, a diluição, etc.

À escala de uma tela, há um mundo de engenharia química num quadro de parede. Terá sido Van Gogh e outros tantos artistas, mestres também em engenharia química?

Fica a questão.

Sobre possíveis complicações de saúde devido a reações químicas entre sucata militar e a chuva





"O inquérito do Governo ao incidente na fábrica da ArcelorMittal já terminou mas não esclarece o mistério. Os testes feitos pela Célula de Crise não detectaram "quaisquer vestígios químicos ou biológicos" nos vagões de sucata que continham armas das duas guerras mundiais. Por explicar continuam as reacções alérgicas e problemas respiratórios que conduziram três trabalhadores ao hospital, na segunda-feira.

Enquanto do lado do governo não há pistas para o que aconteceu, um especialista ouvido pelo Wort diz que a explicação pode ser simples. Na origem do incidente poderá ter estado uma reacção química desencadeada pela chuva.

(...)
Em contacto com a água, pode ter-se formado hidreto de fósforo ou fosfina, um gás considerado tóxico. As emanações deste gás incolor podem ter provocado os problemas respiratórios e reacções de pele que afectaram os três trabalhadores subcontratados que estiveram em contacto com os vagões.

O especialista descarta também a possibilidade de o incidente ter sido provocado por resíduos de armas químicas. Os obuses das duas guerras mundiais vísiveis nas fotografias divulgadas pelo governo "parecem ter sido sujeitos a um tratamento térmico", em fornos a 500 graus, um procedimento habitual na reciclagem deste tipo de armas "que destrói todos os resíduos químicos".

Os dois vagões com cem toneladas de sucata chegaram a Differdange na quinta e no sábado, provenientes da Alemanha. Fazem parte do milhão e meio de toneladas de detritos metálicos que todos os anos chegam à ArcelorMittal em Differdange. A fábrica compra a sucata aos países vizinhos, sobretudo à Alemanha, que fornece 60% dos carregamentos, para depois a usar como matéria-prima para produzir aço. Para isso, a sucata é fundida nos fornos eléctricos em Differdange."

Fonte: Wort
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