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Sobre a primeira legislação norte-americana para controlo do uso de nanotecnologia em produtos importados ou processados




O ano de 2017 será marcado pela primeira publicação de legislação em torno de nanotecnologia nos EUA, legislação essa de âmbito federal. A mesma exigirá que fabricantes e empresas que importam ou processam nanomateriais passem a estar obrigados a informar a agênca norte-americana para proteção ambiental (EPA) de alguns aspetos sobre esses produtos.

As substâncias químicas passam a ter de se informadas à EPA são aquelas que:
  • Estejam no estado sólido a 25ºC e à pressão atmosférica;
  • Tenham sido fabricados ou transformados sob uma forma em que as partículas, incluindo agregados e aglomerados, se situem entre 1 e 100 nanómetros (nm) em pelo menos uma dimensão;
  • Tenham sido fabricados ou processados para exibir uma ou mais propriedades únicas e novas.
Estas novas regras não se aplicam a substâncias químicas fabricadas ou processadas que contenham menos de 1% em massa de quaisquer partículas entre 1 e 100nm.

A nova legislação impõe também exigências de notificação e manutenção de registos sobre as referidas nanosubstâncias químicas, nomeadamente relativamente a:
  • Identidade química específica;
  • Volume de produção;
  • Métodos de fabrico; 
  • Processamento, uso, exposição e libertação;
  • Dados disponíveis sobre saúde e segurança.
As empresas ficarão obrigadas a manter registos dessa informação por três anos.

Sobre a prática doméstica de separação de sólidos por elutriação, à distância de um comedouro de pássaro



Há operações unitárias mais populares que outras, e destas há várias que são bastante específicas da engenharia química. A elutriação está longe de ser uma operação unitária central no universo da engenharia química, mas cumpre uma função necessária em alguns contextos industriais, mas também cotidianos, como se demonstra abaixo.

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De acordo com a IUPAC, deve-se entender por elutriação um processo em que partículas de uma mistura são separadas de outras mais pesadas através de um fluxo ascendente seja gasoso ou líquido. A isto pode-se acrescentar que elutriadores são os equipamentos em que esta operação é industrialmente realizada, e que estes são muitas vezes combinados com outros equipamentos de separação física, tais como ciclones, sedimentadores, etc. A elutrição participa de alguns processos industriais, podendo referir-se o processamento de polímeros granulados, operações secundárias de processamento de metais, agricultura e indústria alimentar, e ainda o setor petroquímico.

Esquema de unidade industrial de elutriação.

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No contexto do cidadão comum, a elutriação é uma técnica doméstica usada por milhares de cidadãos que têm pássaros de pequeno porte como animal doméstico. De cada vez que um destes tratadores, para separar os resíduos (cascas de sementes) das sementes por descascar, optam por soprar para os reservatórios de comida dos seus pássaros, acabam realizar uma separação física que obedece aos mesmo pressupostos da elutriação, embora implique modificações de ordem prática.


Em primeiro lugar, a separação enquadra-se numa situação em que existem partículas sólidas de diferentes pesos/tamanhos. De notas que as cascas e as sementes inteiras encontram-se misturadas mas sem qualquer ligação física ou química que as faça permanecer juntas que não a gravidade. Estão portanto à mercê de um fluxo de ar que as separe.



Depois, e contrariamente, ao processo industrial de elutriação, o processamento acontece em batch, o que significa que as sementes estão num recipiente (o comedouro) e é a corrente de ar que vai promover o arrastamento das partículas mais leves (as cascas).

Em terceiro lugar, o caudal de ar é decisivo. Se for demasiado baixo nenhuma separação será conseguida. Se for demasiado alto haverá uma separação abusiva, ou seja, haverá sementes por descascar a serem arrastadas juntamente com o resíduo (cascas). Uma vez que esta corrente de ar resulta tipicamente do sopro de ar produzido pela pessoa a cargo do processo, a inspeção visual permite ao cérebro processar o resultado em tempo real e enviar sinais para que o caudal de ar seja ajustado à separação pretendida (setpoint), funcionamento como um controlador PID.

Uma nuance final prende-se com o facto de que o caudal de ar emitido é também ele cíclico, uma vez que o sopro humano carece de interrupções periódicas para a etapa de inspiração. Por este motivo, este processo de elutriação artesanal e doméstica funciona de modo ineficiente mas prático: pelo facto da mistura de sólidos estar imóvel e não em contracorrente (como se prevê na elutriação industrial original), a interrupções no fluxo de ar implicam perdas de tempo mas não perda de sólidos, situação que é desejável e que contribui para que esta técnica continue a ser usada por milhares de tratadores de pássaros.

Para os mais curiosos, vale a pena espreitar as invenções que existem no YouTube a nível máquinas artesanais que tentam automatizar a elutriação doméstica, de que o vídeo abaixo é exemplo (usando cartão e uma ventoinha de computador)




Sobre a inclusão da energia acústica em balanços de energia, e a ideia de converter o som/ruído em energia elétrica útil



Há umas semanas atrás surgiu em conversa uma dúvida sobre o som produzido num equipamento dever ou não entrar num balanço de energia, pelo menos de forma discriminada e explícita numa parcela própria. Isto porque a produção de som implica um fluxo de energia que abandona o sistema e que, como tal, não se converte noutras formas de energia (cinética, calorífica, etc)

Tendo questionado a comunidade Reddit de engenharia química sobre o assunto, materializei esta dúvida sugerindo imaginar-se uma situação limite em que a energia acústica tivesse de ser contabilizada para assegurar máximo rigor no balanço de energia de um processo, e citei os ultrassons e os aspersores de gás (sparger) como dois exemplos de tecnologias cuja operação implica a geração de ruído.

Obtive fundamentalmente dois tipos respostas:

 1) A primeira foi no sentido de se questionar os exemplos dados como sendo relevantes a nível industrial. Contrapus apresentando o site da empresa Mott, que produz aspersores de gás para os setores alimentar, bebidas, tratamento de águas, refinação de petróleo, e farmacêutico, para funções tão diferentes como a carbonatação de bebidas, borbulhamento de produtos alimentares com azoto, limpeza de sistemas aquosos com ozono, controlo de pH em águas residuais.

2) O segundo tipo de resposta foi mais interessante, porque muda a perspetiva do assunto. Como o som tem um impacto nos materiais com que contacta, se a energia acústica for exagerada o principal desafio será fazer com que os materiais resistam a essa vibração e não colapsem. Temos como exemplo popular disso a popular imagem do vidro que se parte com a intensidade da voz de um cantor. Assim, também em termos industriais uma situação limite que exagere na importância do som tenderá a ser um contexto em que a preocupação deve estar primeiro na escolha de um material/equipamento que resista a condições tão agressivas em termos vibracionais.





  • Pode o som ser convertido em formas úteis de energia?
Esta questão foi colocada a David Cohen-Tanugi (vice presidente do MIT Energy Club), e a resposta centrou-se no problema da densidade energética do som: aquilo que parece um caos ao ouvido humano traduz-se energeticamente em apenas em 0.01 W por metro quadrado, contrastando, por exemplo, com os 680 W por metro quadrado que a energia solar consegue pontuar a nível de densidade. (A densidade energética a partir de petróleo ou gás natural é ainda maior).

Pese embora a desfavorável densidade energética do som, essa fonte de energia pode ainda ser convertida em formas úteis de energia, sendo exemplo disso o projeto Soundscraper. Este consiste na construção de torres com fachadas dinâmicas capazes de capturar o som e convertê-lo em energia elétrica.

Para isto, o Soundscraper conta com 84 mil sensores P.F.I.G (Parametric Frequency Increased Generators), cuja função é convertem primeiramente as vibrações sonoras em energia cinética, que depois é convertida em energia elétrica através de transdutores adequados a esse fim. A corrente elétrica é então armazenada centralmente e redistribuída pela rede pública.

Estima-se que uma torre de 100 metros de altura com esta mecanismo possa produzir até 150 MW h, o equivalente a 10% da iluminação urbana da cidade de Los Angeles, contribuindo em simultâneo para a redução das emissões de CO2.


Aspeto do Soundscraper

Conceito do Soundscraper

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Agradecimento: Ivo Azenha.

Sobre as sinergias de vinho e alimentos no processo de degustação alimentar, e a transposição destes para um diagrama de fluxo


De acordo com Ronald S. Jackson, especialista em viticultura e enologia, o vinho e a comida possuem uma relação que ultrapassa aspectos culturais, implicando interações químicas no que podemos entender um desafio de engenharia "degustativa", já que é pela optimização (experimental) 
que as melhores combinações vinho/comida são encontradas.



Processo de degustação de comida e bebida, 
na perspectiva de um engº químico.


O mesmo especialista refere que, de um ponto de vista gustativo, os sabores que se encontram nos vinhos praticamente não se encontram num prato de comida habitual. Os vinhos caracterizam-se por fragrâncias frutadas e florais. Já os alimentos distinguem-se por sabores a cozinhado (reações Maillard), vegetais, assado/grelhado, herbais (especiarias). Nenhum destes é característico do vinho, pelo menos se se excluir os vinhos tintos muito envelhecidos. As características acídicas, amargas e adstringentes da maior parte dos vinhos estão ausentes noutros bens alimentares comuns.

Assim, a resposta para o casamento entre o vinho e a comida baseia-se, segundo Jackson, nas diferenças entre os dois. O vinho funciona como um limpa sabores, removendo da boca os sabores da comida, minimizando a adaptação desta a mudanças de alimento, e favorecendo a apreciação imediata de novos sabores que surjam na boca. Deste modo, a alternância entre vinho e comida combate a monotonia sensorial.

Ainda de um ponto de vista mais químico, os constituintes acídicos e fenólicos (taninos) do vinho reagem com as proteínas da comida e saliva, reduzindo eventuais exageros ácidos e adstringentes  do vinho que possam ser percepcionados como desagradáveis para quem o bebe. Por sua vez, os referidos fenólicos e compostos ácidos podem também ter um efeito de atenuação de alguns sabores mais fortes e desagradáveis da comida, como por exemplo nos queijos. Existem evidências experimentais de que o vinho suprime características organolépticas do queijo, e que o queijo também reduz traços organolépticos menos interessantes do queijo.

No geral, Ronald Jackson conclui que, quando combinados, vinho e comida conseguem cancelar os aspetos negativos individuais, potenciando o seu valor pela combinação. 

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Entendendo tudo isto como processo que ocorre num reator que é a boca, estas dinâmicas configuram um exemplo de sinergias químicas, cabendo a cada utilizador otimizar o sistema multicomponente (na sua boca) de acordo com os seus sensores (papilas gustativas) e gostos. Este exercício permitir-lhe-á adequar as matérias-primas ao setpoint final que deseja encontrar quando se senta à mesa.

Sobre o acidente ocorrido com a nave aerospacial SpaceX Falcon 9, e os desafios técnicos de operar com oxigénio liquefeito




A SpaceX, é uma empresa privada que se propõe a conceber, produzir e lançar unidades aerospaciais. A empresa foi fundada em 2002 com a missão de revolucionar a tecnologia aerospacial, com o objetivo último de permitir a habitação de outros planetas por parte de humanos.

Em setembro de 2016, o foguete SpaceX Falcon 9 colapsou inesperadamente na sua estação de lançamento, destruindo em minutos um investimento de 200 milhões de dólares.


Porque motivo explodiu o SpaceX Falcon 9 ?
A investigação após o acidente descobriu que o motivo do colapso da unidade deveu-se ao congelamento do oxigénio em estado líquido que serve de combustível ao sistema de propulsão. O congelamento desencadeou depois uma reação com o reservatório de hélio que se situa dentro do próprio reservatório de oxigénio, sendo o colapso deste segundo reservatório o aspeto chave para o desfecho final. 

Apesar da a empresa ter considerado o problema surpreendente e inesperado, especialistas da NASA haviam antecipado que a inexistência de uma bomba de recirculação no tanque de oxigénio poderia causar um problema de segurança. O papel da bomba de recirculação é o de normalizar as condições de temperatura dentro do tanque de oxigénio. Ao que parece, a própria NASA deparou-se com  idênticos problemas nos anos 90, em torno do modelo X-33.

Fonte: Seeker


Qual a necessidade de manter o oxigénio no estado líquido?
Ao contrário da NASA, que utiliza hidrogénio como combustível propulsor, a SpaceX utiliza querosene (RP-1). Em qualquer dos casos, o oxigénio é necessário para possibilitar a reação combustão, sendo portanto vital para que os 9 motores do Falcon 9 possam operar. 

Quer o hidrogénio como o oxigénio requerem condições criogénicas para poderem ser liquefeitos, e não só os tanques onde estão armazenados precisam de ser isolados de quaisquer fontes de calor, como também o material de que é feito o tanque de armazenamento deve ser escolhido atendendo a vários critérios. Um deles é o comportamento dos materiais a temperaturas altamente negativas (-252ºC, no caso do hidrogénio), dado podem ficar frágeis/quebradiços. No caso do Falcon 9 os tanques de armazenamento são feitos de uma liga de alumínio e lítio.

Finalmente, a necessidade de manter o oxigénio em estado líquido prende-se, entre outros, com a questão da densidade. No contexto de unidades aerospaciais, o espaço/volume é um bem escasso, devendo ser minimizado a todo o custo. Se for mantido no estado líquido, cada kg de O2 transportado necessita de cerca de 0.00088 m3, enquanto que se estivesse no estado gasoso (e a pressão atmosférica), esse mesmo kg requereria 0.75 m3. O esforço técnico de transportar este composto no estado líquido permite assim reduzir em cerca de 850 vezes o volume necessário a nível de reservatório face às condições atmosféricas em que oxigénio existe naturalmente.



Sobre o fundo de investimento de mil milhões de dólares lançado por milionários americanos para promover tecnologias sustentáveis de energia



No passado mês de Dezembro de 2016, o histórico fundador da Microsoft Bill Gates anunciou um a abertura um de fundo para financiamento de tecnologias sustentáveis produção de energia, num total de mil milhões de dólares.

O fundo, que dá pelo nome de 'Breakthrough Energy Ventures' reúne também outros empreenderores famosos, tais como Mark Zuckerberg (Facebook), Jack Ma (Alibaba) e Jeff Bezos (Amazon).

O objetivo desta iniciativa é dar oportunidades à investigação de soluções tecnológicas emergentes  em matéria de energia, que possam reduzir as emissões de gases para a atmosfera.

Curiosamente Gates refere que este fundo propõe-se também a contribuir para um modelo diferente no que diz respeito ao investimento em boas ideias e fazê-las transitar do laboratório para o mercado.

O fundo propõe-se contrariar também a ideia de que a investigação e a inovação em matérias prementes deixe de ser uma matéria do foro partidário, oscilando de acordo com a visão dos partidos que vencem eleições, nomeadamente sobre as alterações climáticas e sobre a dependência de energia de origem fóssil.

Fonte: Reuters

Sobre inovações processuais em catálise homogénea, com vista a unidades industriais mais integradas e intensivas


Diagrama conceptual de um processo clássico de catálise homogénea.


Catálise homogénea é aquela em que uma reação química ocorre numa só fase, a qual serve de meio para reagentes, produtos e catalisadores. É contrária ao que sucede em catálise heterógenea, a qual a reação tem lugar numa interface (gás-sólido, líquido-sólido, etc) devido ao catalisador situar-se numa fase distinta daquela em que situam os reagentes e produtos.

Um dos motivos pelos quais a catálise homogénea é menos comum industrialmente em relação à heterogénea resulta da incoveniente mistura do catalisador com os regentes e produtos, a qual acaba por levantar desafios técnicos de separação, desde logo (mas não só) porque o catalisor pode modificar as suas propriedades dependedo da natureza da separação escolhida, e ver assim perturbada as sua funções ao ser reutilizado. Os referidos desafios implicam processos de separação mais dispendiosos, acabando por prejudicar a viabilidade económica do projeto.

Em todo o caso, podem citar-se alguns processos industriais de catálise homogénea, os quais tipicamente utilizam um ácido ou uma base como catalisadores. São eles:
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O 'escoamento invertido com adsorção' (reverse flow adsorption - RFA
e o seu contributo para uma catálise homogénea mais eficiente:



Diagrama conceptual de um processo de catálise homogénea 
que inclui 'escoamento invertido com adsorção' (RFA).


A investigação em torno do desafio de tornar a catálise homogénea mais competitiva tem produzido os seus frutos, sendo a tecnologia conhecida por  'escoamento invertido com adsorção' (em inglês reverse flow adsorption - RFA) um conceito que merece destaque.

Através de um entendimento da separação e reação como etapas comunicantes e interdependentes, o RFA propõe-se a utilizar dois leitos de adsorvente com capacidade de realizar adsorção/desorção reversível do catalisador, e a combinar tal possibilidade com a inversão de fluxo (ciclicamente). Com isto, o catalisador é alimentado ao reactor através da desorção de um leito, e ao abandonar o reator é adsorvido no outro leito. Deste modo o catalisador realiza um ping pong entre o leito à esquerda e à direita do reator, participando pelo meio na etapa reacional tal como pretendido. Acresce a isto o facto do catalisador não se movimentar numa corrente própria, mas antes arrastado pela corrente de reagentes (antes de entrar no reator) ou pela corrente de produtos (à saída do reator).

Um exemplo de aplicação deste conceito pode ser encontrado no artigo publicado por Marras et al.,  em 2011, da Universidade de Amesterdão, e cujo título é:  Reverse-Flow Adsorption for Process-Integrated Recycling of Homogeneous Transition-Metal Catalysts.


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Uma versão ainda mais integrada e eficiente de RFA


Diagrama conceptual de um processo de catálise homogénea 
que integra 'escoamento invertido com adsorção' (RFA) no próprio reactor.


No passado ano de 2016, Hamou et. al, investigadores da Universidade de Lyon e da Universidade de Lorraine, publicaram um estudo intitulado Reaching steady state under cyclic operations with dispersion: The case of the reverse flow adsorber. Um mérito deste estudo é revelar que é possível atingir o estado estacionário caso se funda o reator de catálise homogénea com um leito de fixo contendo adsorvente, e que mediante optimização de parâmetros é possível aumentar em mais de 20 vezes a concentração de catalisador dentro do reactor, o que potencia a reação. Esse aumento deve-se ao efeito conjunto da minimização da perda de calisador à saída do reactor (leaching), ao ajuste do caudal de catalisor make-up (realizado no centro da unidade), e à correcta definição dos tempos de ciclo para a inversão do escoamento.

Este progresso em matéria de processo propõe-se a abrir caminho para a existência de uma peça de equipamento única onde ocorre simultaneamente a reação, a separação e a reciclagem de catalisador. Tal façanha contribui enormemente para processos de catálise homogénea mais integrados e intensivos, querendo isto significar processos mais compactos (menos espaçosos), mais baratos ( requer menos equipamentos), eficientes (menos energia e utilidades, bem como potenciação de resultados).

Sobre o software COMSOL Multiphysics, e a sua utilidade para a modelação e simulação de fenómenos de engª química

COMSOL é o nome de uma empresa sueca que desde 1998 comercializa software técnico de modelação e simulação, que permite conceber e estudar aplicações elétricas, mecânicas, de fluidos, e químicas.

O produto base é o COMSOL Multiphysics, o qual utiliza métodos numéricos avançados para modelar e simular fenómenos de física. O software é versátil a nível de compatibilidades com outras ferramentas, podendo ser usado em combinação com CAD e Matlab, por exemplo. Com isto garante uma gestão facilitadas de aspetos como geometria, mesh, definições, condições fronteira.


Finalmente, esta ferramenta reivindica ter uma interface gráfica intuitiva e amiga do utilizador.






COMSOL para Engª Química

Para além da versão base, o software conta com variadíssimos módulos técnicos, os quais têm vindo a ser lançados pela empresa desde 1998, agrupados nas seguintes categorias: elétrico, estrutural e acústica, fluidos e calor, químico, multiobjetivo.

Destaque natural para o módulo de reação química, onde é possível modelar e simular, entre outros reatores de leito fixo, reatores tubulares, reação sob condições microfluídicas, e perceber aspetos como rendimentos, perfis de concentração e temperatura, volumes mortos, etc.




Módulos do COMSOL por especialidade técnica


Exemplo COMSOL: modelo  para reator de leito fixo


Exemplo COMSOL: simulador de reactor tubular com reação em fase gasosa.



Licenças de utilização:
De acordo valores disponíveis na net, uma licença individual vitalícia  pode custar por computador cerca de 1700 dólares, e por utilizador (independentemente do pc) 3400 dólares. Já os módulos têm preços individuais, oscilando entre 700 e 1500 dólares, a somar ao valor base da licença individual.

Sobre as válvulas relief: sua função industrial, e sua presença no quotidiano do cidadão comum (panela de pressão e tampas de esgoto)



Para ser seguro, qualquer processo precisa, entre outros, de estar sob controlo. Porém, ter um processo sob controlo não serve apenas questões de segurança, sendo também um requisito para se garantir qualidade e produtividade.

De entre os instrumentos necessários para se manter um processo sob controlo, os sensores e as válvulas são elementos imprescindíveis para saber o que está a acontecer num dado processo, e atuar em conformidade.

Porém, nem todas as válvulas servem para atuar no controlo de processos. As válvulas conhecidas por válvulas relief (relief = libertação) existem pelo motivo único de proteger, isto é, de salvaguardar pessoas e bens num processos que deixe de estar sob controlo a nível de pressão.

Apesar de não parecerem muito sofisticadas, o seu projeto, precisão e função fazem delas instrumentos delicados com uma papel impriscincível.

A lógica de funcionamento de uma relief valve assenta no entendimento de que pressão é uma força, e de que o excesso de pressão significa ter exercer uma força superior à pretendida. Assim, a válvula relief é um instumento capaz de se ativar apenas quando uma pressão excessiva se faz sentir, sendo o excesso de força o desencadear da sua abertura.




Válvulas relief no dia-a-dia do cidadão comum

Embora o cidadão comum esteja mais rotinado e confortável em operar sobre temperaturas do que sobre pressão, as panelas de pressão utilizadas para cozinhar são o exemplo perfeito de um sistema doméstico em que a existência de válvula relief é recomendável (ver abaixo). Aqui, o efeito do aquecimento é provocar a ebulição do líquido. O vapor gerado, devido a ser menos denso que o líquido que o originou, começa a criar uma pressão progressiva na panela (dependendo da quantidade de líquido inicial) a qual pode atingir valores excessivos que representam uma risco de explosão por colapso do material (por incapacidade de aguentar a força exercida pelo vapor nas paredes).

Menos óbvio mas porventura mais curioso é o caso das condutas subterrâneas de aguas pluviais, as quais, na maior parte do tempo se encontram apenas parcialmente ocupadas ou mesmo vazias. Estas existem apenas para escoar a água da chuva, e portanto são também elas infraestruturas de segurança, neste caso protengendo contra inundações.

Quando a quantidade de chuva que se faz sentir é massiva e intensa, observa-se uma enchimento abrupto das condutas com água, e uma compressão do ar que estava no seu interior. De modo a evitar o colapso das estruturas devido a esse ar comprimido pela violenta entrada de água nas condutas (e ocupação de volume), verifica-se  que as tampas de esgoto das estradas pode ser levadas a saltar ou levantar-se, funcionando precisamente como válvulas relief.

Sobre o 14º maior telhado solar do mundo estar na fábrica de Setúbal do grupo Navigator, e a sustentabilidade da sua enorme máquina de papel



Depois de ter anunciado em 2016 a instalação de 8.800 painéis solares, no telhado do complexo industrial de Setúbal (Portugal), sabe-se agora que a portuguesa The Navigator Company tem o 14º maior telhado solar do mundo.

O referido módulo de painéis ocupa cerca de 13.000 metros quadrados permitem produzir anualmente cerca de 3.1 Gigawatt hora (GWh), o equivalente ao consumo anual de 850 residências.

De acordo com a empresa, o projecto tem como missão permitir a produção de energia eléctrica renovável com emissões de CO2 nulas, para alimentar parcialmente a máquina de papel da fábrica de Setúbal, evitando, ao mesmo tempo, "a aquisição dessa mesma quantidade à rede eléctrica".

Para saber mais sobre a fábrica de Setúbal, consulte esta publicação do BEQ.



O grupo Navigator no contexto energético português [Fonte]:


Para além de operar na área da produção de pasta e papel, ocupa igualmente uma posição de destaque na área de produção de energia a partir de biomassa:
  • Mais de 50 % do total da energia produzida em Portugal a partir de biomassa é gerada pela The Navigator Company
  • 5% da produção total de energia eléctrica em Portugal é gerada pelo Grupo
A importância da The Navigator Company para o desenvolvimento da economia portuguesa revela-se tanto na sua capacidade produtiva e exportadora, que representa 3 % do total de bens exportados por Portugal, como no seu volume de negócios, de cerca de 1% do PIB.



Construção do telhado solar a cargo de outra empresa portuguesa:


A portuguesa Efacec foi a empresa que ganhou o concurso de Engenharia, Procurement e Construção (EPC) da maior central solar fotovoltaica instalada em ambiente industrial em Portugal para a The Navigator Company.

A nível de portfolio, a presença da Efacec no setor solar compreende o fornecimento de inversores solares de alta performance, estações fotovoltaicas desenvolvidas in-house, soluções de gestão de energia e soluções de armazenamento optimizadas para renováveis.
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